CANNING’SDISTILLED GIN

27 de agosto de 2026

O que significa uma medalha de ouro do IWSC num gin?

Uma medalha de ouro no International Wine & Spirit Competition significa que um painel de provadores profissionais deu ao gin pelo menos 95 pontos em 100 sem saber o que estava no copo. O IWSC existe desde 1969 e julga às cegas: os destilados chegam ao painel em copos numerados, já servidos, e nem o rótulo nem o preço entram na prova.

É esta a resposta curta, e é por isso que a medalha tem peso. O Canning's Dry Gin, destilado em pequenos lotes na Ribeira Brava, na ilha da Madeira, recebeu uma medalha de ouro do IWSC em 2018, numa prova cega em Londres, dois anos depois de ter sido engarrafado pela primeira vez. Este artigo explica o que está por detrás de um resultado destes.

Garrafa de Canning's Dry Gin, medalha de ouro no IWSC em 2018

Como o IWSC julga um gin

Todas as amostras são provadas às cegas. Chegam à mesa em copos numerados, já servidos, e os painéis vêm do próprio setor: destiladores, compradores, escanções, jornalistas. Cada juiz pontua a amostra face à categoria, não face à opinião dos colegas, e as inscrições passam ainda por análise técnica além da prova. O IWSC publica o seu processo de julgamento, e é isso que o separa dos esquemas de prémios que funcionam quase como diretórios pagos.

No gin, isto conta mais do que na maioria dos destilados. O gin é sistematicamente uma das maiores categorias do concurso, por isso um ouro conquista-se contra centenas de concorrentes, não contra meia dúzia.

As faixas de medalhas na escala de 100 pontos

O IWSC pontua numa escala de 100 e publica onde começa cada medalha. Na escala atual, o bronze vai dos 85 aos 89 pontos, a prata dos 90 aos 94, o ouro dos 95 aos 97 e o Gold Outstanding dos 98 aos 100. No topo, a margem é curta: três pontos separam um ouro da pontuação máxima.

Destes números resultam duas coisas. Uma pontuação de 95 ou mais deixa pouco espaço a fraquezas que o júri pudesse encontrar. E como a escala é pública, um ouro de um ano vale o mesmo que um ouro de outro.

Porque é a prova cega que importa

Nem todos os prémios num rótulo querem dizer o mesmo. Há concursos que julgam com a garrafa à vista e outros que se aproximam de listagens pagas, e uma prateleira de medalhas tanto pode medir um destilado como um orçamento de marketing. O sinal a procurar é simples: julgamento às cegas e faixas de pontuação publicadas. O IWSC tem os dois.

A prova cega também põe todos os produtores em pé de igualdade. Uma pequena destilaria insular e uma marca global chegam à mesa como dois copos numerados. Para um gin feito longe da geografia habitual do gin, é o único tipo de concurso em que o líquido pode vencer sozinho.

O ouro do Canning's em 2018, como exemplo concreto

O Canning's Dry Gin ganhou a sua medalha de ouro do IWSC em 2018, numa prova cega em Londres. O gin tinha sido engarrafado pela primeira vez em 2016, por isso a medalha chegou cedo, e foi o líquido a ganhá-la, não o nome: primeiro o zimbro, depois o maracujá e a pitanga da Madeira sobre uma base terrosa, engarrafado a 40% vol. Seguiu-se uma prata no International Spirits Challenge em 2023. Ambas estão na página de prémios.

O panorama do gin em Portugal é pequeno e fácil de verificar: só uma mão-cheia de gins portugueses tem um ouro do IWSC. O artigo sobre os gins portugueses mais premiados enumera-os.

O que a medalha garante a quem compra

Uma medalha de ouro certifica o que está dentro da garrafa, não a imagem construída à volta dela. Garante que um júri profissional, em prova cega, colocou o gin no escalão mais alto de uma escala de 100 pontos. O que não revela é o estilo: um gin premiado tanto pode ser mais cítrico como mais marcado pelo zimbro. O ouro diz apenas que está bem feito.

Vale por isso a pena ler a medalha em conjunto com as notas de prova. Se procura um gin em que o zimbro vem à frente, seguido da fruta da ilha, o ouro de 2018 é a confirmação de que foi feito como deve ser. A garrafa está disponível na loja, e o que faz dele um gin da Madeira tem uma página própria.