Um guia da destilaria Canning's, Madeira
Gin português.
Gin português é gin destilado em Portugal - no continente, nos Açores e na Madeira. A categoria é jovem: a maioria das destilarias surgiu depois de 2014, e muitas constroem as receitas com botânicos que não crescem em mais lado nenhum.
Nós fazemos um destes gins, na Madeira. O que se segue é o mapa como o vemos - regiões e estilos, mais do que nomes.
O que é o gin português?
O rótulo significa mais do que uma morada. Os destiladores portugueses apoiam-se nas plantas do próprio país: ervas e fruta do Alentejo, castas da Bairrada, fruta subtropical das ilhas. O resultado é uma categoria que sabe ao lugar, e não a um único estilo de casa.
Não existe definição legal - o que une estes gins é serem destilados em Portugal, quase sempre em pequenos lotes, quase sempre por produtores mais novos do que quem os bebe.
O continente, por regiões
O Alentejo foi onde a primeira vaga rebentou, por volta de 2014. Deu à categoria o seu truque mais conhecido - um gin azul, colorido com flor de ervilha-borboleta, que passa a rosa quando leva tónica - e alguns dos primeiros gins biológicos da Península Ibérica.
Na Bairrada, a terra do vinho pensa o gin à sua maneira: um destilado biológico conta uma casta local entre os botânicos.
Nas prateleiras, os que mais vendem são gamas de fruta que ligam os sabores às regiões do país. E a ideia viaja: há um gin de inspiração portuguesa destilado em Hamburgo, com botânicos enviados da Costa Vicentina.
As ilhas
Os Açores destilam gin em São Miguel, e os botânicos açorianos chegam também aos alambiques do continente.
A Madeira também faz gin - o nosso faz-se na Ribeira Brava, na costa sul da ilha, e é a razão de esta página existir.
Canning's: o gin da Laurissilva
O Canning's é um gin seco destilado em pequenos lotes na Ribeira Brava pela C.N.A. Companhia Nova de Aguardente, engarrafado pela primeira vez em 2016. Os botânicos vêm da Laurissilva - a floresta de louro que cobre a Madeira há milhões de anos, Património Mundial da UNESCO - juntamente com maracujá e pitanga, e a água desce das serras da ilha. Engarrafado a 40%.
Provado às cegas no IWSC em 2018, conquistou a Medalha de Ouro e foi considerado um dos 21 melhores gins do mundo; em 2023 levou Prata no International Spirits Challenge. Ambas estão na página de prémios, e o que faz dele um gin da Madeira tem página própria.
No copo, aguenta um gin tónico como a ilha o serve - uma parte de gin para três de tónica, raspa de lima, um raminho de hortelã - e é limpo o suficiente para um Martini. As receitas de cocktails apoiam-se na fruta da ilha em vez de a tapar.
Por onde começar
Depende do que procura. A garrafa alentejana que muda de cor é o espetáculo. Os gins biológicos pedem um copo mais devagar. As gamas de fruta cobrem a maioria dos gostos. E para um gin seco que sabe à Madeira - primeiro o zimbro, atrás a fruta da ilha - o nosso é aquele por que podemos responder.