CANNING’SDISTILLED GIN

2 de agosto de 2026

O que é a pitanga?

A pitanga é o fruto da Eugenia uniflora, uma pequena árvore da família das mirtáceas. O nome vem do tupi antigo ybapytanga, "fruta avermelhada", e o fruto faz-lhe jus: uma baga profundamente estriada, de dois a quatro centímetros, que amadurece do verde ao laranja e ao escarlate até um vermelho escuro, quase preto.

É também um dos botânicos do Canning's Dry Gin, destilado na Madeira, onde a pitangueira cresce nos quintais da ilha. O seu caráter vivo e delicadamente ácido acompanha o maracujá sobre uma base de zimbro.

Um fruto de pitanga vermelho e estriado pendurado num ramo com folhas

A que sabe a pitanga?

É viva e delicadamente ácida, e muda com a cor. Colhida entre o verde e o laranja, é marcadamente ácida; deixada amadurecer até ao vermelho escuro, quase preto, torna-se francamente doce. Pelo meio ficam a fruta vermelha e doce, uma acidez limpa e um leve travo resinoso que a impede de ser apenas açucarada.

Esse travo resinoso está na própria árvore: uma folha de pitangueira esmagada liberta um aroma intenso e resinoso. É isso que interessa aos destiladores. Num destilado, a pitanga traduz-se em frescura e caráter, não em compota.

Onde cresce a pitanga?

A pitangueira é originária da costa atlântica da América do Sul, do Suriname e da Guiana Francesa ao sul do Brasil, Uruguai, Paraguai e norte da Argentina. No Brasil pertence à Mata Atlântica, a velha floresta do litoral. Dali espalhou-se pelo mundo, e hoje cresce também na Madeira, onde o clima subtropical lhe assenta e faz companhia ao maracujá, o outro fruto emblemático da ilha.

Nunca chegou, porém, a fruta de supermercado. Madura, a pitanga é tenra e frágil e não sobrevive ao transporte, pelo que não existe verdadeira produção comercial em lado nenhum. Ficou fruta de quintal: nasce de um caroço posto na terra, apara-se em sebes, dá-se em quase todo o solo, incluindo o arenoso à beira-mar. Quem já comeu uma, quase de certeza que a apanhou da árvore de alguém.

A árvore por trás do fruto

A Eugenia uniflora é um arbusto ou pequena árvore de crescimento lento, normalmente entre dois e quatro metros, até oito em boas condições. As folhas novas nascem acobreadas antes de escurecerem para um verde brilhante; as flores são pequenas e brancas, quatro pétalas em volta de um tufo de estames, e muito procuradas pelas abelhas.

Sempre se lhe encontraram usos para lá do fruto. No Brasil, há quem espalhe as folhas esmagadas pelo chão para afastar as moscas; no Uruguai, fazem-se em chá. O fruto, rico em vitamina C, vai sobretudo para compotas e sumos onde a árvore cresce - quando não é comido logo ali, ao pé do ramo.

A pitanga no gin Canning's

O Canning's Dry Gin é destilado em pequenos lotes na Ribeira Brava, na ilha da Madeira, e a pitanga é um dos seus botânicos - a par do zimbro da montanha, das plantas nativas da Laurissilva (Património Mundial da UNESCO), do maracujá e da água pura da montanha. É engarrafado a 40% vol. A Madeira é um dos lugares onde se faz gin em Portugal; o guia do gin português percorre os outros.

Um fruto demasiado delicado para viajar é uma boa razão para destilar onde ele cresce. No copo, o zimbro lidera e a fruta da ilha segue-se: o maracujá traz a nota tropical, a pitanga a nota viva e mais ácida, sobre uma base ligeiramente terrosa e um final longo e suave. O gin ganhou a Medalha de Ouro no International Wine & Spirit Competition em 2018. O que faz dele um gin da Madeira tem página própria.

Como provar a pitanga num gin tónico

Sirva uma parte de Canning's para três da sua tónica preferida sobre bastante gelo, com raspa de lima e um raminho de hortelã. Deixe assentar um momento e procure, para lá do zimbro, a nota viva de fruta vermelha. É a pitanga, com o maracujá ao lado.

O mesmo caráter passa para os cocktails de pitanga e para as receitas de cocktails, que se apoiam na fruta da ilha em vez de a esconder.