14 de outubro de 2026
Passagem de ano na Madeira
A passagem de ano na Madeira acaba com um dos maiores espetáculos de fogo de artifício do mundo: cerca de oito minutos sobre o anfiteatro da baía do Funchal, disparados ao mesmo tempo de dezenas de postos nas encostas, na frente-mar e em barcaças na água. Em 2006 entrou no livro dos recordes do Guinness como o maior espetáculo do mundo, com 66.326 foguetes. O recorde entretanto mudou de mãos; o espetáculo não encolheu.
O fogo é o cabeçalho, mas a noite à volta dele é a melhor história: uma cidade cheia até às bordas, doze passas comidas às doze badaladas, e um brinde que dura até de manhã. Este guia cobre onde ver, o que a ilha faz à meia-noite, e como planear tudo sem lutar contra a multidão.

O fogo: oito minutos sobre um anfiteatro
O Funchal foi desenhado para este espetáculo. A cidade sobe do porto em anfiteatro natural, e o fogo usa-o todo: os postos de lançamento rodeiam a baía desde as encostas até à marina, com mais disparos a partir de barcaças na água. À meia-noite de 31 de dezembro o anfiteatro inteiro acende-se de uma vez, e durante uns oito minutos quem assiste está dentro do espetáculo, não à frente dele.
A tradição é antiga. As fogueiras marcavam o ano novo já no século XVII, o fogo de artifício chegou no século XVIII, e o espetáculo moderno cresceu até ao recorde do Guinness de 2006, então o maior do planeta. O programa oficial, com os concertos e horários de cada ano, é publicado pela Events Madeira nas semanas anteriores.
Onde ver, do gratuito à primeira fila
Os sítios gratuitos são genuinamente bons. A frente-mar ao longo da Avenida do Mar põe-nos ao nível da água e perto das barcaças; enche cedo, por isso convém marcar lugar pelas nove ou dez. O Parque de Santa Catarina fica suspenso sobre o porto, com a baía estendida lá em baixo. Para a vista larga, os madeirenses sobem ao Pico dos Barcelos e veem o anfiteatro inteiro a disparar de uma vez.
A primeira fila é a água. Os barcos saem da marina do Funchal ao longo da noite e fundeiam na baía, onde o fogo acontece de todos os lados ao mesmo tempo. Os navios de cruzeiro acertam as travessias para estarem fundeados aqui nesta noite. Qualquer das opções reserva-se com meses de antecedência; em dezembro já não há nada com convés disponível.
O que a ilha faz à meia-noite
O ritual que conta é o das passas. Doze, uma por cada badalada da meia-noite, cada uma com o seu desejo em silêncio para um mês do ano novo. É uma tradição portuguesa que a ilha cumpre sem ironia, e os restaurantes põem pratinhos delas ao lado dos copos. O brinde é de espumante, servido no último minuto e seguro até o primeiro foguete subir.
O jantar é a outra instituição. Os restaurantes do Funchal fazem menus fixos de fim de ano e esgotam com semanas de antecedência, e os hotéis montam galas que acabam nos terraços à meia-noite. Depois, a cidade não vai para casa: os bares da zona velha servem as bebidas da própria ilha até de manhã, com a poncha entre elas.
A primeira bebida do ano novo
Algures depois do brinde vem a primeira bebida do ano, e a ilha tem resposta própria: um gin tónico feito com o Canning's Dry Gin, destilado na Ribeira Brava a partir de zimbro de montanha, plantas da floresta Laurissilva, maracujá e pitanga. Uma garrafa na mesa quer dizer que o primeiro copo do ano sabe à ilha onde foi servido. Se a noite pedir mais intenção, as receitas de cocktails incluem um Martini que começa um ano como deve ser.
Uma nota honesta sobre a noite: ela é longa por desenho. O fogo é à meia-noite, os bares ficam abertos até de manhã, e a estrada da costa não é sítio para pressas a seguir. Beba devagar; a ilha não vai a lado nenhum.
Planear: reservar cedo, levar um casaco
A Madeira no fim de dezembro anda pelos 17 a 20 graus de dia e 13 a 15 à noite: ameno que chegue para estar na rua à meia-noite, fresco que chegue para apetecer um casaco. O alojamento para a passagem de ano esgota por setembro ou outubro, e a maioria chega a 27 ou 28 para apanhar a semana de festa, com a cidade iluminada de ponta a ponta. Táxis depois da meia-noite são uma lenda; fique a uma caminhada da cama, e guarde a manhã de dia 1 para o Funchal mais sossegado do ano.